
“OS CAPOEIRAS”
Roteiro Original
De
Carlos Eduardo Goulart
E-mail: nixty@hotmail.com
Fone: (21) 9502-7845
Obra Registrada– B.N. –Esc.Dir. Autorais
SEQUÊNCIA 1-EXT. PRAIA DO RIO DE JANEIRO – DIA
Sobre a imagem aparece o ano: 1888.
O bando formado exclusivamente de negros encara o outro bando a sua frente que na sua maioria são mulatos. Ambos partem para o confronto.
Perto dali, na mesma praia, um grupo de escravos, carregando pesados cestos, chega junto as pedras, descarregando os excrementos humanos, de seu interior, no mar. Entre
eles está NEGRO BANTO (negro,alto, magro, muitas listras brancas sobre o peito e as costas e coxo de uma perna). Junto aos outros ele fica assitindo a luta, do alto, nas pedras.
Os homens se enfrentam “mano a mano”, alguns armados de navalhas, outros de porretes. Vemos o desenrolar de cada luta. Um capoeira com um porrete maneja este com maestria gi -
rando-o em volta do corpo ao ponto que quase não podemos vê-lo, tal a rapidez. Seu adversário, armado com uma navalha, ginga com o corpo, mas acaba golpeado primeiro na cabeça, depois nos braços, cintura e pernas, para mais uma vez ser, agora, ser acertado na cabeça, caindo ao
chão desacordado. Um jovem mulato de dezoito anos, armado de navalha, briga com um velho negro, de mais de cinqüenta anos, sem arma alguma nas mãos. Os dois gingam, até que o jovem precipitadamente, investe com a navalha, tentando acertar o rosto do velho, que abaixando-se acerta uma cabeçada frontal na cara deste, que espirrando sangue pelo nariz, cai para trás.
Enquanto isso, os dois chefes de gangue,um com um chapéu com um lenço vermelho e outro com um lenço branco no 3 pescoço, se enfrentam. Gingando o corpo, cada um estuda o movimento do outro, porém sem fixar o olhar, os dois procuram saber a posição do outro somente com o "rabo de olho". O de lenço branco desfere um golpe objetivando acertar a cabeça do adversário. Mas este consegue proteger- se e sair do golpe. O de lenço branco saca sua bela navalha de cabo azul fazendo o sol reluzir em sua lâmina. O outro também saca a sua, de cabo vermelho. Os integrantes dos dois grupos param de lutar para ver a luta dos dois. Gingando com o corpo os dois preparam seus golpes. O de vermelho aplica um golpe que o outro consegue se esquivar,
e, na sequência, este consegue acertar as costas do outro. O grupo de branco comemora o golpe certeiro. O capoeira de vermelho, embora com expressão de dor,abaixado, coloca a navalha aberta entre os dedos do pé direito e inicia novamente sua ginga enquanto que o de branco
parte novamente para o ataque. Agora ele aplica um golpe no adversário que joga o corpo para trás e apoiando-se nas mãos faz com as pernas um movimento de rotação, e, para, com a navalha em um dos pés, acertar a jugular do outro. Este coloca a mão ao pescoço, mas o sangue jorra
manchando sua camiseta branca, de vermelho. Um som de apitos se faz ouvir ao longe.
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