Mostrando entradas con la etiqueta Capoeira Utilitaria. Mostrar todas las entradas
Mostrando entradas con la etiqueta Capoeira Utilitaria. Mostrar todas las entradas

martes, 15 de septiembre de 2009

Rodolfo Konder


Rodolfo Konder

Nascimento: 05/04/1938, Natal

Profissão: Jornalista e escritorProjeto: Herzog Hoje


P - Você falou da sinuca no Posto 6. O que mais você conta do Rio daquela época, Konder?
R - Bom, quando nós fomos pra Ipanema, Ipanema era um bairro que estava... Nós morávamos primeiro em Copacabana, mas isso bem meninos ainda. Aí fomos pra Ipanema, a casa dos meus avós era na Teixeira de Melo. Ipanema era um bairro que tava começando a se desenvolver, mas não tinha prédios, só tinha casas. E algumas ruas ainda eram de terra, não estavam asfaltadas. Ipanema era um... Às vezes, nós íamos pra praia e a praia, Leblon, Ipanema e Arpoador, estava deserta. É uma coisa absolutamente inconcebível. Totalmente deserta, éramos só nós na praia. E um pouco mais adiante, ali naquela região da Farme de Amoedo, aquela área até mais adiante, tinha uma academia de capoeira, do Sinhôzinho, que tinha dois filhos fortíssimos, o Cirandinha e o Pedregulho. E eles dominavam o bairro. O bairro de Ipanema era dominado pelos capoeiristas do Sinhôzinho. Inclusive o Sinhôzinho, já aos oitenta e tantos anos, pra mostrar que ainda era vigoroso, um dia parou uma carroça – havia muitas carroças nas ruas de Ipanema – e pra mostrar que ainda estava vigoroso, deu um soco na cabeça e matou o cavalo com um soco na cabeça. E os dois filhos dele brigavam muito. O Cirandinha depois morreu, numa briga, num apartamento de Copacabana foi jogado de uma janela. Mas eram fortíssimos. E o Pedregulho... O Pedregulho tem até uma história engraçada. E eu os via, mas sempre que eu os via eu atravessava a rua, porque eu tinha medo deles. Daí o Pedregulho tomou uma bebedeira e foi ao barbeiro, ao salão do Kim que era capoeirista também e amigo dele. E disse: “Kim, raspa minha cabeça zero”. O Kim raspou. Primeiro, o Kim resistiu: “Pedregulho, eu não vou fazer isso, porque você está bêbado e amanhã você fica bom da bebedeira e vai me dar uma surra”. Ele disse: “Se não raspar vai levar surra agora”. Aí o Kim raspou e levou a surra no dia seguinte. Mas então o Pedregulho ia pra a Visconde Pirajá, que era toda de paralelepípedos e ficava, tirava uma mesa do bar que tinha na esquina da Visconde de Pirajá, botava no trilho do bonde, sentava, tirava a boina e ficava ali sentado pra ver se alguém tinha coragem de olhar pra ele. E ninguém olhava. E o motorneiro vinha com o bonde, parava e ficava esperando até ele ter a disposição de sair do trilho do bonde, porque o cara era um gigante forte, decidido. Então, isso era um pouco Ipanema.