domingo, 27 de diciembre de 2009

Colonisation ou métissage dans les pratiques corporelles : le « texmex » ou le « hamburger » ?


GRABADO:Un gymnase scolaire en 1835 (Louis-le-Grand ? Henri IV ?). On reconnaît là des appareils préconisés par Amoros : outre un grand portique et ses agrès, un « mât horizontal ou de voltige » (premier plan, à gauche), et quatre « barres ou perches à suspension pour les hommes » (scellées au mur). (A. Hugo : France pittoresque ou description pittoresque, topographique et statistique des départements et colonies de la France, tome Ier, Paris, Delloye, 1835, vis-à-vis la page 68.)

Colonisation ou métissage dans les pratiques corporelles : le « texmex » ou le « hamburger » ? L’exemple de l’éducation physique en France
Jacques Gleyse

42 Sans doute faut-il relativiser de manière très forte ce phénomène car, à part la capoiera ou le Taï ji Quan (ou Tai Chi Chuan), et quelques pratiques japonaises (Karaté, Judo, Aikido) déjà largement occidentalisées par leurs propagateurs nippons (Jigoro Kano, ministre de l’Education nationale nippone, par exemple pour le Judo), les cas de colonisation par des pratiques corporelles autres qu’anglo-saxonnes, sont extrêmement rares. Dans le même sens, la naissance de techniques du corps, initiées ou institutionnalisées en France ou dans les pays d’Europe occidentale, non-anglophones, est plus que rare (pelote basque). Comme cela a été montré, il n’en allait pas du tout de même au xvie siècle où, au contraire, c’était la France (langue comprise) qui étendait son impérialisme sur l’ensemble du monde occidental (avec l’Espagne plus tournée vers les Indes occidentales). Le « tenezt » gascon, déjà évoqué plus haut, avait tout de même été alors métissé en « tennis », tout comme le « desport » s’était transformé en « to sport ».
FUENTE: Colonisation ou métissage dans les pratiques corporelles : le « texmex » ou le « hamburger » ?

viernes, 25 de diciembre de 2009

Karateca "Liberto" Capoeirista "Escravo"

Nota de pesquisador: Cuando un Mestre de un arte marcial identifica y aplica la formación de sus atletas através de um método objetivo y deportivo sin "secuestrar " a sus alumnos de por vida y sin olvidar las tradiciónes marciales ,podemos tener lo que sigue:
Mais jovem faixa preta de Karatê do Brasil
Homologação: Quinta-feira, 13 de setembro de 2007
Foi homologado pelo RankBrasil o "Mais Jovem Faixa Preta de Karatê, certificado pela Confederação Brasileira de Karatê (CBK).
Heitor Guilmar, de 9 anos, morador morador de Presidente Prudente, é o mais jovem lutador a conquistar a faixa preta pela Federação Paulista de Karatê (FPK) e pela Confederação Brasileira de Karatê (CBK). A conquista aconteceu no Clube Espéria, em São Paulo, no dia 1º de dezembro do ano passado, onde estava havendo competições.
Guilmar treina desde os três anos. Com muito trabalho e disciplina, já acumula várias vitórias.
Segundo seu treinador, "Heitor é um orgulho para Prudente, uma vez que é o "Mais Jovem Faixa Preta" deste ano pela Federação Paulista de Karatê, por seu feito dentro das qualidades exigidas pela Wado-Ryu, incluindo também a parte disciplinar que não deixou nada a desejar aos demais integrantes das categorias juvenil e adulto", enfatizou Moacir Quissi.
Dos 12 campeonatos disputados em 2002, Heitor sagrou-se campeão em 11. Confira na tabela abaixo.
RankBrasil
O mais jovem jogador de Karatê e recordista do RankBrasil iniciou seus treinamentos na Associação de Karatê Quissi, instalada em Presidente Prudente
Suas conquistas enaltecem esta modalidade do esporte brasileiro, a cidade de Presidente Prudente e também o Brasil, que se curvam a este jovem talento.

jueves, 24 de diciembre de 2009

1910-LUCTA Floriano-Ghedini


Podia-se sentir a tensão no ar. Instalados nas suas confortáveis poltronas, os sócios do Automóvel Club procuravam acompanhar o vôo pioneiro de Edu Chaves (praticante de savate) em direção a Buenos Aires. De vez em quando, um empregado do clube entrava no salão com telegrama dando a localização do aviador naquele momento. Os presentes então se dirigiam a uma mesa em que estava estendido um grande mapa, para avaliar a distância ainda a ser coberta.Quem registrou essa cena de 1920, no seu livro de memórias Tempos Passados, foi Cícero Marques, amigo de Edu Chaves. Com brevê de piloto obtido em 1912, ao lado de um grupo de rapazes paulistanos ricos, Cícero vivenciou os tempos em que aviação poderia ser chamada, em linguagem de hoje, de esporte radical. Alguns anos antes, Cícero ganhara notoriedade como praticante de lutas romanas, nos teatros e nos cinemas, em espetáculos complementares às exibições dos filmes. Nada havia a estranhar nesse comportamento, pois outros jovens de boa estirpe, incluindo o filho do ex-presidente da República Floriano Peixoto, iam às lutas em público.Também o automobilismo, não disputado nas pistas, mas como simples transporte nas estradas, era considerado um esporte perigoso. E lá estavam Cícero Marques e seu grupo.Ele foi o primeiro aviador a realizar um vôo no Rio Grande do Sul. Coube-lhe também o pioneirismo no Brasil no uso do avião para fins bélicos, quando fez vôos para o Exército durante na chamada Guerra do Contestado, série de conflitos ocorridos entre 1912 e 1916 nas regiões limítrofes de Santa Catarina e Paraná.Ao procurar aterrizar certa vez no Rio de Janeiro, Cícero Marques foi de encontro aos fios condutores de energia elétrica. Sofreu queimaduras de 1o, 2o e 3o graus, mas conseguiu resistir à descarga de 25.000 volts. Daí em diante, viveu semi-paralítico até sua morte em 1946. Além do seu livro de memórias, escreveu um livro sobre a história da Avenida São João, De Pastora à rainha. Também campeão de halterofilismo e remo, Cícero Marques concebeu uma frase: ”O aviador é um suicida em potencial”.
UM ATHLETA QUE SURGE
Comecei a minha vida sportiva - disse o Sinhôzinho, preliminarmente - em 1904, no Club Esperia de S. Paulo; como socio-alumno. Ahi me mantive até 1905, quando fui para o Club Athletico Paulistano, que foi o primeiro club do Brasil que teve piscina.
Houve um movimento dissidente no football de então, de modo que me transferi para a Associação Athletica das Palmeiras, que havia feito fusão com o Club de Regatas São Paulo. Ahi, em companhia de Itaborahy Lima, José Rubião, Hugo de Moraes e mais alguns amigos, comecei a praticar com enthusiasmo a gymnastica, tendo por exemplo Cícero Marques e Albino Barbosa, que eram, naquelle tempo, os maiores athletas do Brasil.
A CONTRIBUIÇÃO DO CELEBRE AVIADOR EDÚ CHAVES
- Mais tarde " prosseguiu o nosso entrevistado " com a vinda de Edú Chaves da Europa, novos ensinamentos nos foram ministrados, dos quaes a luta greco-romana, box francez (savata) e a gymnastica em apparelhos foram os mais importantes.
Em 1907, ingressei no Club Força e Coragem, que obedecia à direcção do professor Pedro Pucceti. Continuei os exercícios que sabia e outros mais, que aprendera com o referido mestre.

domingo, 20 de diciembre de 2009

mestre de capoeira Damionor Mendonça



Inovações tecnológicas e científicas I Esporte, Educação Física, atividades físicas e lazer no Brasil
DIRCEU GAMA
Technological and scientific innovations I
Sports, physical education, physical activities and leisure in Brazil
1974 No Rio de Janeiro, o mestre de capoeira Damionor Mendonça engenhou um berimbau cujo arco era feito de bambu. A justificativa residia na maior durabilidade conferida ao instrumento por causa do bambu, vegetal mais resistente do que a biriba (madeira tradicionalmente usada na fabricação dos berimbaus) às intempéries e deterioração orgânica.

Policía Militar -Sao Paulo


Escola de Educação Física
Homenagem da Polícia Militar ao ano da França no Brasil
A Polícia Militar do Estado de São Paulo, por meio da sua Escola de Educação Física, prestará homenagem ao Ano da França no Brasil, em 22 de outubro de 2009, às 09h00, realizando palestra sobre o tema: “A Influência da Missão Francesa na Criação da Escola de Educação Física” e apresentação do Bailado Joinville Le Pont, Box Savat e Esgrima Ornamental.
A Escola de Educação Física da PM que se constituiu no primeiro núcleo de ensino da Educação Física no país e segundo da América Latina, organizada em bases sólidas, tornou-se reconhecida nacionalmente nos primeiros anos de vida.
O Bailado Joinville Le Pont - originalmente criado como Quadrilha de Monitores de Joinville Le Pont, foi criado pela Escola de Joinville Le Pont, na França.
Seus passos e sua forma de ser dançado foram extraídos de uma dança popular do interior da França, na passagem dos séculos XVIII e XIX, assemelhando-se a nossa dança junina e dançado naquela época somente por homens.
Com o advento das Guerras Napoleônicas essa dança foi utilizada pelos comandantes franceses como forma de treinamento e entretenimento de seus soldados, melhorando a condição física, principalmente dos grupos musculares das pernas que eram muito exigidas nas grandes caminhadas e transposições de matas, rios e montanhas, pois o grosso das tropas deslocava-se a pé e os combates eram na maioria das vezes no corpo a corpo.
Com a vinda da missão francesa ao Brasil a partir de 1906, esse bailado foi introduzido em nossa Escola, que em 1910 passou a executá-lo como forma de demonstração, o qual é praticado até hoje pelos seus componentes. Foram mantidas as mesmas figuras, os mesmos passos, a mesma coreografia e a mesma música, numa justa homenagem aos nossos criadores.
,O Box Savat é uma luta corpo a corpo que também era uma forma de treinar os soldados franceses nos tempos das guerras napoleônicas, o vigor físico era a principal qualidade exigida do soldado. Assemelha-se a um Kata de luta marcial, o qual é composto de golpes de pernas, pés e punhos. O Box Savat também foi introduzido em nossa Escola pela missão militar francesa.
A Escola de Educação Física está localizada na Avenida Cruzeiro do Sul, 548 – Canindé – São Paulo-SP.
http://www.policiamilitar.sp.gov.br/noticias.asp?TxtHidden=144

sábado, 19 de diciembre de 2009

1888 -Os Capoeiras



“OS CAPOEIRAS”
Roteiro Original
De
Carlos Eduardo Goulart
E-mail: nixty@hotmail.com
Fone: (21) 9502-7845
Obra Registrada– B.N. –Esc.Dir. Autorais
SEQUÊNCIA 1-EXT. PRAIA DO RIO DE JANEIRO – DIA
Sobre a imagem aparece o ano: 1888.
O bando formado exclusivamente de negros encara o outro bando a sua frente que na sua maioria são mulatos. Ambos partem para o confronto.
Perto dali, na mesma praia, um grupo de escravos, carregando pesados cestos, chega junto as pedras, descarregando os excrementos humanos, de seu interior, no mar. Entre
eles está NEGRO BANTO (negro,alto, magro, muitas listras brancas sobre o peito e as costas e coxo de uma perna). Junto aos outros ele fica assitindo a luta, do alto, nas pedras.
Os homens se enfrentam “mano a mano”, alguns armados de navalhas, outros de porretes. Vemos o desenrolar de cada luta. Um capoeira com um porrete maneja este com maestria gi -
rando-o em volta do corpo ao ponto que quase não podemos vê-lo, tal a rapidez. Seu adversário, armado com uma navalha, ginga com o corpo, mas acaba golpeado primeiro na cabeça, depois nos braços, cintura e pernas, para mais uma vez ser, agora, ser acertado na cabeça, caindo ao
chão desacordado. Um jovem mulato de dezoito anos, armado de navalha, briga com um velho negro, de mais de cinqüenta anos, sem arma alguma nas mãos. Os dois gingam, até que o jovem precipitadamente, investe com a navalha, tentando acertar o rosto do velho, que abaixando-se acerta uma cabeçada frontal na cara deste, que espirrando sangue pelo nariz, cai para trás.
Enquanto isso, os dois chefes de gangue,um com um chapéu com um lenço vermelho e outro com um lenço branco no 3 pescoço, se enfrentam. Gingando o corpo, cada um estuda o movimento do outro, porém sem fixar o olhar, os dois procuram saber a posição do outro somente com o "rabo de olho". O de lenço branco desfere um golpe objetivando acertar a cabeça do adversário. Mas este consegue proteger- se e sair do golpe. O de lenço branco saca sua bela navalha de cabo azul fazendo o sol reluzir em sua lâmina. O outro também saca a sua, de cabo vermelho. Os integrantes dos dois grupos param de lutar para ver a luta dos dois. Gingando com o corpo os dois preparam seus golpes. O de vermelho aplica um golpe que o outro consegue se esquivar,
e, na sequência, este consegue acertar as costas do outro. O grupo de branco comemora o golpe certeiro. O capoeira de vermelho, embora com expressão de dor,abaixado, coloca a navalha aberta entre os dedos do pé direito e inicia novamente sua ginga enquanto que o de branco
parte novamente para o ataque. Agora ele aplica um golpe no adversário que joga o corpo para trás e apoiando-se nas mãos faz com as pernas um movimento de rotação, e, para, com a navalha em um dos pés, acertar a jugular do outro. Este coloca a mão ao pescoço, mas o sangue jorra
manchando sua camiseta branca, de vermelho. Um som de apitos se faz ouvir ao longe.

A Plebe ,23.8.1919-n.o 27- Ano III

CAFAJESTS INTELECTUAIS (PAG165)
A Plebe ,23.8.1919-n.o 27- Ano III
Não quero absolutamente fazer injúria a esses bravos desordeiros que nos recantos escusos da cidade defendem obstinadamente o seu direito de não fazer nada nesta sociedade que tema idolatra do parasita. O titulo de cafajestes a eles outorgado pela multa que lhes disputa o passo. a polícia, horda feroz e legal, é um brasão impróprio a levá-los à posteridade a que se destinam os Foelas (sic) os Dantas Barretos e outros desordeiros históricos, mas que m’os recomenda a mim.
Por necessidade de uma vida agitada e rude, os cafajestes, os capoeiras e outros terrores da burguesia dos bairros, apelam a toda hora para a luta livre, dita capoeiragem, que é uma esgrima
desabusada e estranha
ante a qual se desorientam os mais abalizados preceitos dos mestres de armas. Peço a todos esses herdeiros dos barões feudais, porque me parece que um capoeira é o descendente daqueles tremendos salteadores das estradas na Gália e da Germânia, que me cedam os seus brasões desdourados por empréstimo, para que eu os confira solenemente aos
celebrados e laureados intelectuais a quem a burquesia confiou a defesa das depredações e das rapinas operadas com a lei contra humanidade indefesa e pasmada. Como possivelmente o número dos candidatos às novas decorações seja maior que os títulos que me cedam os heróis da Saúde e de Madureira, eu limito as minhas outorgas à classe populosa dos jurisconsultos e jurisperitos que têm a cargo o estudo e a solução da questão social......................................
http://www.centrocultural.sp.gov.br/livros/pdfs/teatro.pdf

lunes, 14 de diciembre de 2009

CAPOEIRAGEM

RECORTE PAG 205:
"Ouvimos, uma vez, do Duque-Eitrada que a prevenção existente contra a capoeiragem era justificada pela degeneração delia. A verdadeira capoeiragem, explicava elle, não admitte e auxilio de armas de qualquer natureza. O seu principio básico é que — o homem deve empregar para a sua defesa, ou para o ataque, somente os orgams que da natureza recebeu. E, com effeito, são elles mais que suffícientes para a completa preservação da pessoa e para a subjugação do adversarie, por mais temível que este seja, ou por mais armado que se apresente, uma vez que não conheça o segredo da arte ou não disponha da agilidade resultante do seu exercício.
Em seguida, expunha elle com methodo, oom clareza, e de modo convincente, as fonções agressivas ou defensivas da cabeça, das mãos, dos pés, das pernas e até dos joelhos, próprias a darem immediata superioridade no jogo da capoeira.
Querem nm exemplo de um desses preceitos que delle ouvimos?
Approxima-se de nós alguém, e nos diz uma grosseria ou nos faz um aggravo desses que exigem immediato desforço. Não devemos nos agastar. A cólera é incompatível com a neces- sária presença de espirito. Respondendo qualquer coisa, devemos dar ao mesmo tempo oom a ponta do pé uma pancada nas canellas do adversário.Elle instínctivamente se abaixa para acariciar com a mão a parte contundida e attenuar assim a intensidade da dor. Então, de súbito, a gente tofranta o joelho, e com elle dá forte pancada sob o queixo do adversário, o qual, muito a contra- gosto, fará uma cambalhota para ir de costas eahir a alguns metros de distancia.
Mas, voltemos ao caso.
Compenetrado dessas idéas, o dr. Duque- Bstrada, um intellectual de primeira ordem, não 8Óm«nte não tolhia á arraia miúda dos seus par- tidários os exercidos da capoeiragem, como, ao contrario, os incitava a se aperfeiçoarem nella. Exigia, por^m, que não usassem de armas.
E não usavam. Nisto se distinguiam dos seus antagonistas, ao menos emquanto sobre elles se exerceu a influencia benéfica e civilizadora de Duque -Estrada Teixeira.
A « sua gente > era, além disso, aceiada, tra- zendo cortados os cabellos á escovinha; e respei* lota, a ponto de não faiar senão de chapéo na mão a qualquer pessoa de tracto superior. Era ordeira, e quasi toda empregada em serviços públicos ou particulares.
E eomo foi que conseguiu elle disciplinar por tal modo elemento, antes, tão mau e incon- scientemente pervertido?
Chegou a esse rezultado, tão somente pelo seu ascendente pessoal.

FUENTE:
A Academia de São Paulo: tradições e reminiscencias, estudantes, estudantões, estudantadas, Volumen 2
A Academia de São Paulo: tradições e reminiscencias, estudantes, estudantões, estudantadas,
Autor
José Luiz Almeida Nogueira
Editor
Typographia Vanorden & Co., 1907

Canjiquinha e Baden Powel

O violão vadio de Baden Powell‎ - Página 93Dominique Dreyfus - 1999 - 380 páginas
... traduz à perfeição as harmonias do canto de capoeira eo som do berimbau; Canjiquinha também o levou aos terreiros de candomblé, às rodas de capoeira. ...

viernes, 11 de diciembre de 2009

1937-SAO PAULO- Tocava barimbau(SAMBA ANTIGO), tocava nos dentes



A INVENÇÃO DO COTIDIANO NA METRÓPOLE: Sociabilidade e Lazer em São
Paulo, 1900-1950
Margareth Rago - UNICAMP

................................À noite, seus pais partiam para o baile dos adultos. Já na adolescência, este era
ainda o único carnaval que sua família permitia que freqüentasse, longe das serpentinas e das batalhas de confetes dos imigrantes italianos e espanhóis, que se reuniam no Brás 74, e como é de se supor, bem mais longe ainda dos negros, expulsos para fora do centro urbano. ImpedidAos pela repressão policial de se manifestar na cidade, a população negra buscava as ruas do município de Pirapora do Bom Jesus, onde, até o final dos anos vinte, reunia-se um enorme contingente de pessoas, procedentes de várias cidades e estados, entre as quais os mais importantes sambistas de São Paulo, Dionísio Barbosa, fundador do primeiro cordão carnavalesco de São Paulo e Madrinha Eunice, fundadora da “Escola de Samba do Lavapés”, em 1937. Filho de outro sambista, Dionísio recorda:
Meu pai tocava no Pirapora. Tocava barimbau(sic), tocava nos dentes, só quem tinha dente podia tocar ...Era fantástico...A gente tocava...era o samba antigo, de bumbo, não é o de hoje.75
Mal vistos pelas elites e reprimidos pela polícia, fora do período de Carnaval, os sambistas organizavam “rodas de samba” em suas próprias casas. Nos terreiros existentes nos cortiços, muitas vezes transformados em espaços de cultos religiosos, de umbanda, em meio aos familiares, vizinhos e amigos, os negros dançavam o jongo ou o samba de roda. Nas casas das “tias”, como a da “Tia Olympia”, na rua Anhangüera, no terreiro do “Zé Soldado”, no Jabaquara, ou na casa de Madrinha Eunice, no bairro do Lavapés, já nos anos trinta, desenvolviam-se formas espontâneas de associação e solidarização, de onde esses grupos profundamente estigmatizados e oprimidos podiam extrair ludicamente a energia necessária para enfrentar as vicissitudes da vida cotidiana, em um mundo tão adverso, constituído, na grande maioria, pelos brancos e por seus preconceitos. 76

A INVENÇÃO DO COTIDIANO NA METRÓPOLE: Sociabilidade e Lazer em São ...

miércoles, 9 de diciembre de 2009

A MUSICOLOGIA DA CAPOEIRA: SIGNIFICADOS E EXPRESSÕES



A MUSICOLOGIA DA CAPOEIRA: SIGNIFICADOS E EXPRESSÕES
Maria Eduarda Lemos da Silva Pessoa
Licenciatura em Educação Física na Faculdade Social da Bahia
Luis Vitor Castro Júnior
Professor da Universidade Estadual de Feira de Santana
Professor da Faculdade Social da Bahia
Doutorando da PUC/SP no programa de História




Nas músicas de capoeira observar-se também a metonímia8, por exemplo: “Eu conheci o mestre bimba, o mestre pastinha e também seu maré, e ele falou capoeira pra home, minino e mulhê, é, é, pra home, minino e mulhê...” Em vez de utilizar o nome Manoel dos Reis Machado, o apelido toma força para representar a dinâmica cultural ancestral na capoeira. Sendo assim, o nome atribuído ao mestre se constitui numa potência, pois os seus saberes vão sendo revigorados, ultrapassando a figura humana, para se constituir enquanto mito, capaz de estabelecer a ancestralidade nos entre-tempos.
Voltando às letras de capoeira de um português cada vez mais hibridizado com as palavras de origem bantu e indígena. Encontramos nas mesmas, fortes incidências de uma fala cheia de significados, onde através desta linguagem, eram estabelecidos significados para serem compreendidos pelos os incorporados a essa “tribo capoeira”. Facilmente acontecia o “ar” de duplo sentido nas palavras. Podia ser de sotaque, o aviso de que alguém estava chegando para reprimir (a polícia ), ou até quando se cortejava uma moça. A produção dessa poesia a princípio acontecia nos engenhos e nos canaviais com suas cantigas de escravos, em seguida na vadiação das praças públicas até chegar nas academias. Consideramos, a música a partir do capoeirista, é como se fosse a água para o peixe. Ela vai dá pista como ele deve agir e vai determinar o ritmo do jogo, deixando livre para dá a “volta ao mundo”. As músicas da capoeira são divididas em ladainha (começo) e o corrido (refrão). A ladainha corresponde ao canto inicial, para o capoeirista, é um momento sagrado no qual são evocadas entidades míticas–religiosas exigindo dele respeito e atenção Na ladainha abaixo, “o ritmo é lento, sempre acompanhado pelo berimbau, tocando angola ou são-bento-grande (lento)9:
Riachão tava cantando, Na cidade de Açu, Quando apareceu um nêgo, Como a espece de ôrubú, Tinha casaca de sola, Tinha calça de couro cru, Beiços grossos redrobado, da grossura de um chinelo, Tinha o ôlho incravado, Outro ôlho era amarelo, Convidô Riachão, Pra cantá o martelo, Riachão arrespondeu, Não canto cum nêgo desconhecido, Êle pode sê um escravo, Ande por aqui fugido, Eu sô livre como um vento, Tenho minha linguagem nobre, Naci dentro da pobreza, Não naci na raça pobre, Que idade tem você, Que conheceu meu avô, Você tá parecendo, Que é mais môço do que eu, Iê água de bebê... Versos do domino público.
A ladainha pode ser considerada um louvor dos feitos e das qualidades de um capoeirista lendário, mas pode ainda conter um elogio ou provocação irônica ao parceiro, uma louvação aos presentes, um agradecimento à hospitalidade dos donos da casa ou, relato e comentário de algum acontecimento. As ladainhas geralmente contem lições de vida e transmitem a filosofia da capoeira, servindo de inspiração para o jogo, mas ela também pode se configura num certo proselitismo que reforça a discriminação racial e de gênero. No CD da trilha sonora do filme Dança de Guerra Mestre Bimba canta a seguinte ladainha:
Minino quem foi teu mestre, Minino quem foi teu mestre, Que lhe deu essa lição, Fui discípulo que aprende, Qui in mestre eu dei lição, O mestre qui mim insinô, ta no engenho da Conceição, A ele devo dinheiro, saúde e obrigação, O segredo de São Cosme, Mas quem sabe é São Damião.
A ladainha reverencia a figura do mestre como sujeito importante no processo de transmissão dos saberes. Segundo Rego essa cantiga pode ser considerada como geográfica e de devoção. As geográficas consistem em “cantigas localizando vilas, cidades, estados...10”, ou seja, no momento em que fala “... no Engenho da Conceição”, ele está se referindo a um determinado território. Já nas cantigas de devoção, retratam algum Santo no qual os capoeiristas têm devoção. Rego afirma que nas músicas de capoeira “... têm como invocação São Cosme e São Damião, santos popularíssimos na Bahia...11”. Ao tratar sobre as cantigas onde o negro é estereotipado e inferiorizado, como canções de escárnio e mal-dizer. “Se referem à cor negra, como símbolo do desprezível, do malefício, do diabo, partindo dessa premissa, para toda espécie de escárnio12”. Como por exemplo: “Na minha casa veio um home, das espece dos urubus, Tinha camisa de sola, Paletó de couro cru, Faca de ponta de ponta no cinto, Rabo cumprido no cu, O beiço grosso e virado, Como sola de chinelo, Um zóio bem encarnado, Outro bastante amarelo 13

martes, 8 de diciembre de 2009

A CONSTRUÇÃO DAS NARRATIVAS IDENTITÁRIAS DA CAPOEIRA



A CONSTRUÇÃO DAS NARRATIVAS IDENTITÁRIAS DA CAPOEIRA
Juliana Azevedo de Almeida 7 - UFES
Otávio G. Tavares da Silva – Doutor8 – UFES
.............Em outro trecho de um artigo da RBCE, observamos como o articulista tenta preservar a tradição criando um mito sacro, essencialista e atemporal:
Neste sentido, a roda constitui-se em um lugar do sagrado, onde o capoeirista está recebendo toda energia dos seus ancestrais que vieram nessa luta ímpar pela liberdade. O sagrado fica evidente no respeito que o praticante deve ter em relação às “regras” instituídas ao longo do tempo pelos seus antecessores, à incorporação desses valores na sua vida, à sua responsabilidade de preservar os rituais e sua dedicação de educar [...] (CASTRO JR., 2004, p.153).
Comparando-o com um fragmento do diário de campo, percebemos como alguns “nativos” realmente consideram a roda como um momento sagrado: “A roda iniciou com um ritmo médio de São Bento Grande de Angola. Agacharam-se ao pé do berimbau um rapaz e uma moça... A moça parecia fazer uma prece, o rapaz apenas esperava o sinal do berimbau para sair para o jogo” (diário de campo do dia 09 de abril de 2007). Entretanto, e ao contrário do que Castro Jr. (2004) evidencia, o fato de considerar a roda como lugar sagrado, nem sempre estabelece a incorporação dos valores e regras “ancestrais” da capoeira (ou do grupo) na vida daqueles que a praticam. Talvez o articulista estivesse se referindo ao que acontece no seu grupo de capoeira19, utilizando-se, novamente do ferramental acadêmico para legitimar ideologias e mitos. Nesse sentido, observemos o trecho seguinte:
Disse a ele [ao professor] que reparei que os comportamentos ali eram bem informais, no sentido de que não via a preocupação de ninguém em cumprimentar o professor ao chegar no treino ou dar satisfações ao chegar atrasado. Ele me disse que isso é normal, não incomoda, mas reclamou de algumas atitudes como: “Você viu na roda da sexta retrasada? Um cara, que não sei quem é, chegou aqui na porta e o estagiário (um aluno graduado do grupo)
chamou ele pra vir pra roda (com gesto de mão chamando). O cara chegou, não falou nada comigo, quando vi, ele já tava no atabaque!!! Isso não pode! É falta de educação! Vê se eu vou chegar na roda do cara e nem falar com o professor?!!. Mas eu disse ao professor: “Poxa, mas o aluno que o chamou! Por ele ser graduado o cara deve ter se sentido à vontade pra entrar.” O professor disse: “Sim! O estagiário é que tava errado! Depois, chamei ele num canto e chamei a atenção dele!” (diário de campo do dia 28 de março de 2007).

O professor acima citado não aprovou o comportamento desrespeitoso de seu aluno (estagiário) e do rapaz que chegou à roda sem se apresentar. Isso demonstra que os rituais da roda de capoeira em si, mesmo sendo vistos por alguns como “sagrados”, não podem educar ou inc ulcar valores à vida dos praticantes da forma que Castro Jr. (2004) nos apresenta. Se analisássemos essa roda de capoeira pelo olhar desse articulista poderíamos dizer que a mesma não é “sagrada” e que “os ancestrais não estão lhe enviando nenhuma energia”, já que o respeito, naquele momento não se fez tradição