"O ano de 2010 marca para a Polícia Militar do Estado de São Paulo o Centenário da sua Escola de Educação Física. A bênção e honra de fazer este momento é um privilégio ímpar e motivador para a superação de desafios.
A Velha Escola nasceu da criação do Curso de Esgrima e Ginástica em 08 de Março de 1910 quando São Paulo contava com uma Missão Militar francesa instruindo e remodelando sua então Força Pública.
A Missão militar de instrução havia chegado ao Brasil em 1906 comandado pelo Coronel francês Paul Balagny e permaneceu em São Paulo até 1914, quando os missionários juntaram-se aos seus compatriotas nos campos de batalha da Europa em guerra.
Dentre os missionários, o Capitão francês Delphin Balancier foi nomeado o primeiro comandante da Escola transmitindo seus saberes conforme os princípios da antiga École Militaire de Joinville, onde havia se formado Mestre de Armas. A estrutura organizacional e de ensino também foi inspirada em Joinville.
................................Inicialmente, com a volta do nome “Escola de Educação Física”, no lugar de Centro de Capacitação Física e Operacional e, com destaque, a inauguração, em 12 de novembro de 2009, do “Espaço Memória da Velha Escola”, que permite viajar no tempo e fazer este link memorável. Além disso, também foi reativado o Bailado de Joinvile le Pont, a Esgrima Ornamental e o Box Savat, apresentados pelo efetivo da “Velha Escola”.
http://www.cabosesoldados.com.br/form1_view.cfm?id_form1=1448
Muito discrepante é a figura do policial representada em Escola do Soldado, espécie
de manual organizado por Paul Balagny, chefe da Missão Francesa, publicado pela primeira
vez em 1907 (BALAGNY, 1912). Nesse manual ilustrado, que serviu de instrução para a
tropa, o oficial francês descreve várias técnicas de instrução para as praças de infantaria da
então Força Pública do Estado de São Paulo – são exercícios físicos, de luta, de tiro, de
marcha etc. As fotos ilustrativas mostram um policial altivo, impávido, bem fardado, torso
inflado, bem nutrido, branco e portando um hirsuto bigode, a reforçar a virilidade militar e a masculinidade inerente a seu papel social.18
18 Não nos esqueçamos que algumas páginas atrás, Alexandre, o policial de O cortiço era ornado “de grande bigode preto”. Aloísio Azevedo. O cortiço, op. cit., p. 18. O bigode se tornou, no século XIX, um dos emblemas mais patentes do soldado. A gendarmerie francesa regulou por lei o uso do bigode e do bibop (mouches). Em algumas oportunidades, seu uso foi proibido, em outras, tornou-se facultativo, e, em 1914, restabelecido novamente (Cf. LUC, 2003 : 11, nota 29). Arnaud-Dominique Houte lembra que a proibição do porte de bigode pelos gendarmes em 1832 aguçou as suspeitas da população, preocupada com a facilidade com que “um rosto glabro” se misturaria à massa (Cf. HOUTE, 2006 : 130). De acordo com George L. Mosse, o bigode, componente visual fundamental da virilidade, é um traço moral que se traduz, antes de tudo, fisicamente e visivelmente no corpo (Cf. MOSSE, 1996). O uso de bigode e barba também podia servir como instrumentos de diferenciação hierárquica. No exército brasileiro, por exemplo, os soldados rasos eram proibidos de usar costeletas, marca privativa de um oficial. Sargentos costumavam imitar os oficiais ao cultivarem bibops, enquanto as praças se caracterizavam ora pelo bigode, ora pelo rosto imberbe (Cf. BEATTIE, 2001 : 159).
http://vsites.unb.br/ih/novo_portal/portal_his/revista/arquivos/edicoes_anteriores/2.2008/Completo.PDF
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