sábado, 10 de enero de 2009

O Negro em O Estado da Bahia

O Negro em O Estado da Bahia De 09 de maio de 1936 a 25 de janeiro de 1938
Carneiro transcreve vários cânticos usados na capoeira, se arrisca em alguns comentários sobre os mesmos e, antes de concluir, observa o aumento do interesse da sociedade baiana pela capoeira naquele período. E também destaca a importância de alguns dos mestres de seu tempo:

..................Há alguns anos já que o jogo da capoeira tem começado a interessar as classes médias da população da Bahia. O capoeirista bimba abriu mesmo uma escola de capoeira. Este negro, de rara agilidade, me afirmou que a sua capoeira já não é mais a de Angola, mas um prolongamento dela, já que ele se aproveita de vários golpes de outras lutas, desde a luta romana até o boxe e o jiu-jitsu. Tanto que Bimba apelida de luta regional baiana a sua capoeira especial.
O maior capoeiristas da Bahia afirmam-me os negros ser Samuel “Querido de Deus”, um pescador de notável ligeireza de corpo. Muito falados são os capoeiristas Maré (estivadores), Siri do Mangue, de Santo Amaro, e um tal Oséias, que abriu uma escola de capoeira no Rio.Mesmo assim, o processo de decomposição da capoeira está se acelerando...
..................Apesar de tudo, - apesar da maior aclimação do negro ao meio social do Brasil, apesar da reação policial, apesar do adiantado processo de decomposição e de simbiose da capoeira em face de outras formas de luta, - a capoeira, em especial a capoeira de Angola, revela uma enorme vitalidade. O progresso dar-lhe-á, porém, mais cedo ou mais tarde, o tiro de misericórdia. E a capoeira, junto aos demais elementos do folclore negro, recuará para os pequenos lugarejos do litoral...
http://www.facom.ufba.br/pex/viniciusclay.doc

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