Certa vez (1955) presenciei um único capoeira, que não conhecia, enfrentar durante quarenta minutos, nove policiais da Polícia Especial, uma violenta força-de-choque, no Tabuleiro da Bahiana (centro do Rio de Janeiro). Ele só foi dominado, quando chegaram mais policiais, em outra (a quarta!) viatura. Poderia perguntar: qual o preparo físico que faculta a um único homem enfrentar nove, durante tanto tempo? O segredo na verdade se encontrava na crença do capoeira, que tinha certeza de que podia fazê-lo. Esse destemor parece hoje muito mais raro ou desaparecido. Certamente é porque a maioria hoje entende a prática da capoeira não como um modo de vida, mas como apenas uma técnica de luta. São poucos os que ainda entendem a capoeira como um caminho místico para a perfeição. É evidente que – pela lógica de hoje – aquele capoeira deveria haver puxado uma pistola automática e “feito chover chumbo”, evadindo-se sob esta proteção. Portanto, para quê treinar a capoeira? Basta comprar uma Beretta do Paraguai. No entanto, nada disso fazia parte do mundo dos valentes. Um bamba não usaria um revólver. Ele seria reconhecido e não seria desafiado. Se fosse desafiado, valiam as regras de seu círculo. A parada seria resolvida no braço, no pé, na faca e na navalha. Tratava-se de um outro mundo. Nele havia enredações místicas que faltam hoje.
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