Venho pelo presente, em função dos ataques pessoais e injustificados a que tenho sido vitima, e em respeito a toda a comunidade da Capoeira e de seus simpatizantes, ESCLARECER QUE:A Dra. Ana Rosa Fachardo Jaqueira, da Faculdade de Ciências do Desporto e Educação Física da Universidade de Coimbra, está totalmente equivocada em suas argumentações em relação ao que afirmou sobre minha Tese de Doutorado em Antropologia, apresentada em 2004 no Programa de Pós-Graduação em Ciências Sociais da Pontifíca Universidade Católica de São Paulo denominada: Da Capoeira - Como Patrimônio Cultural, a qual foi utilizada pelo IPHAN- Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional do Ministério da Cultura do Brasil.Na mesma afirmei (e reafirmo) que tratar algo como patrimônio cultural brasileiro merece muita cautela, pois tudo o que temos (exceto as culturas indígenas que não tiveram nenhum contato externo) foram heranças culturais de outros povos e países. Utilizei até o exemplo da MAZURCA (Polônia) que pelo simples fato de ser tocada mais rápida acabou sendo transformada no FANDANGO (Brasil), mantendo a mesma sentença musical. Sendo assim, neste caso, o que realmente é o patrimônio cultural brasileiro? O simples fato de ser tocada mais rápida? Na construção teórica dos argumentos utilizei-me dos clássicos em Antropologia (Darcy Ribeiro, Gilberto Freyre, Sergio Buarque de Holanda, Clifford Geertz, Norbert Elias, Marcel Mauss, Franz Boas e outros), que entendem que toda cultura possui MATRIZES, muitos inclusive, tais como Peter Burke, entendem que toda cultura é uma CULTURA DE EMPRÉSTIMO, pois deriva de centros mais avançados que se tornaram referência.No caso da Capoeira a coisa fica mais interessante ainda. Quem pode afirmar que o que existe na Capoeira é realmente do Brasil? O idioma das canções é de Portugal, os instrumentos são árabes, hindus ou africanos, a corporalidade herdada da Nigéria, de Angola, de Madagascar etc., a religiosidade nem se fala: judaico-cristã, com elementos bantus e iorubanos. Até a estrela de Salomão usada no Candomblé é judaica, e assim por diante. Para discutir a construção da noção da Capoeira como Patrimônio Imaterial tive que recorrer ao Direito Romano, em 500 d.C. quando começaram a surgir tais conceitos. E pelo fato de que na Capoeira (não-desportiva) cada um faz o que quer, não temos um único patrimônio cultural, mas sim, milhões de patrimônios, e nisto reside um gigantesco problema para o seu futuro, ou seja, o desaparecimento da Capoeira por múltipla fragmentação.É exatamente por isto que na Federação Internacional de Capoeira temos o CÓDIGO DESPORTIVO INTERNACIONAL DE CAPOEIRA, que tem a finalidade de padronizar procedimentos técnicos, culturais e desportivos, além de preservar a nomenclatura de movimentos e suas biomecânicas, bem como seus aspectos filosóficos e antropológicos pertinentes à formação de competências de técnicos desportivos, árbitros, ritimistas, mesários, atletas e alunos. Ou seja, estamos protegendo o patrimônio e não o deturpando como fazem muitos de meus acusadores. Mas o tempo dará as respostas.Minha tese (mesmo antes da defesa) foi discutida por outros pesquisadores no encontro anual da ANPOCS - Associação Nacional de Pós-Graduação e Pesquisa em Ciências Sociais, no qual esteve presente o Presidente do IPHAN e seu staff, o qual requisitou em nome do órgão uma cópia uma semana antes da defesa. A mesma trouxe como ineditismo a discussão sobre o patrimoniamento da Capoeira e ainda é a única obra que fez tal discussão. Isto eu só fiquei sabendo no dia da banca. O assunto circulou no Ministério da Cultura e na Presidência da República, e uma semana depois da defesa estes órgãos requisitaram cópias da Tese diretamente à PUC/SP, e para atender ao que esta me pediu, deixei 42 cópias da Tese na Esplanada dos Ministérios. É claro que fiquei lisonjeado com isto, ainda mais quando soube que minha Tese foi utilizada para a reabertura do processo de reconhecimento da Capoeira pelo IPHAN, que estava arquivado faziam mais de dois anos.Cabe ressalatar que o principal ponto de interesse do IPHAN não foi o fato da cultura de empréstimo, mas sim os argumentos que utilizei para discutir as legislações da época, em que utilizam a terminologia de TOMBAMENTO DE PATRIMÔNIO IMATERIAL, e na Tese eu argumentei que patrimônio imaterial somente poderia ser REGISTRADO, pois se fosse tombado seria contrário ao fundamento básico da cultura, ou seja, sua dinâmica. A partir de então o IPHAN passou a registrar os patrimônios imaterais e não mais a tombar como fazia anteriormente, da forma como o faz com os patrimônios materiais.No caso das argumentações equivocadas da Dra. Ana Rosa Fachardo Jaqueira, que veio desesperada pedir minha ajuda aqui no Brasil para a conclusão de seu doutorado, caso contrário não conseguiria fazer seu fechamanto (e que a atendi plenamente), creio que faltou-lhe a leitura dos CLÁSSICOS DA ANTROPOLOGIA além de uma melhor compreensão sobre o CONCEITO DE CULTURA, posto que deveria ler outras obras, além das escritas por seu marido, o Dr. Paulo Coelho Araújo, pois faltou-lhe uma visão mais abrangente do assunto antes de emitir uma opinião em grupos de discussão da internet, principalmente pelos aspectos éticos envolvidos, isto para não adentrar também ao lamentável uso de e-mail institucional para discutir opiniões pessoais.E quanto ao que MANIQUEISMO de seu argumento de tese verdadeira e tese não verdadeira, em que para ela somente servem como válidas aquelas que trazem seu marido como referência, ou seja, para a mesma seu marido é o próprio paradigma científico, tenho a afirmar que isto é um absurdo digno da perseguição científica da Idade Média, cujo fato depõe contra a própria Universidade de Coimbra, por ter em seus quados alguém com esta visão reduzida.De minha parte entendo que uma boa tese é aquela que sendo viva e presente, é discutida plenamente, servindo de referência para os debates ocorridos na sociedade e na comunidade científica, como está ocorrendo com a minha, caso contrário ficam nas prateleiras da bibliotecas acumulando poeira, mofo e traças. Neste sentido sou muito feliz, pois tanto minha Dissertação de Mestrado quanto minha Tese de Doutorado tiveram que ser repostas de tanto que foram lidas na biblioteca da PUC/SP.Quanto ao desafio que ela me fez para debater publicamente minha Tese, desde já ESTÁ ACEITO, mas terá que ser na própria Universidade de Coimba, na qual comparecerei na qualidade de CONVIDADO ESPECIAL, pois tenho por hábito derrubar os argumentos dos opositores em suas próprias casas.Sou também feliz, pois meu relatório de Pós-Doutorado em Gestão Socioambiental - apresentado na FEA/USP denominado: Preservação das Espécies Vegetais Utilizadas na Manufatura de Berimbaus no Brasil, também foi aproveitado pelo IPHAN, pois trata da sustentabilidade das madeiras utilizadas para fins folclóricos e desportivos na Capoeira.Ressalto que fiz duas graduações, duas especializações, mestrado, doutorado e pós-doutorado, única e exclusivamente em função da Capoeira e que procuro aplicar tais conhecimentos na mesma, pois é o modo que tenho de retribuir o sentido de vida que ela me deu.Pratico Capoeira já fazem 32 anos. Por tês vezes recusei a graduação de mestre que me foi concedida pelos estados do Rio de Janeiro e de São Paulo, e ainda pelo Conselho Superior de Mestres, mas mesmo assim não faço uso público da mesma, preferindo ser chamado de Professor.Sendo assim, apresentados os meus argumentos, informo que não comparecerei aos debates promovidos na internet, justamente por não discutirem idéias ou ideais, mas sim ódios, invejas, despeitos, mesquinharias e atitudes vãs que em nada contribuem para o crescimento da Capoeira, mas sim para a sua divisão, pois muitos ganham fortunas com a ingenuidade dos capoeiristas. Todavia emito esta NOTA DE ESCLARECIMENTO pois entendo que exitem muitos capoeiristas de boa vontade que poderão ler esta mensagem, os quais merecem informações fidedignas.Por fim, nossos BLOGS estão em espanhol pois seu organizador é o nosso Vice-Presidente E. Javier Rubiera, que é espanhol, e que tem feito um excelente trabalho de identificar as aculturações AFRO-ASIÁTICAS que influenciaram na formação da Capoeira, ou seja, até as culturas da África foram influenciadas pelas da China, India, Malásia, Indonésia, Israel, etc. E para os que não entendem espanhol, lá mesmo existem tradutores em vários idiomas. Basta traduzir. Outrossim, com o resultado de suas pesquisas, muito do que já foi escrito sobre a Capoeira precisará ser revisto.No mais continuarei atendendo individualmente a todos em nosso e-mail capoeira.fica@gmail.com e confirmo que continuamos fortes e convictos do caminho que tomamos e que estamos construindo, pois somente a padronização da Capoeira contribuirá para o seu fortalecimento e a salvará de seu desaparecimento nas próximas décadas. E o que é mais importante, atuamos sem dependermos de recursos governamentais de nenhum país, pois não somos ururpadores do erário público, como equivocada, caluniosa e levianamente também afirmou a Dra. Ana Rosa, talvez motivada por algum tipo de ciúme acadêmico em função dos desdobramentos que minha Tese atingiu, posto que a referida Doutora mesma esteve presente na minha banca avaliadora e acompanhou os questionamentos e as argumentações, sendo que ao final da defesa, tanto ela quanto seu marido me parabenizaram, fazendo questão pedir uma cópia da tese para deixar na biblioteca da Universidade de Coimbra, alegando que era difícil obter material de qualidade para a pesquisa de seus alunos, de tal modo que chegar a ser insano o comportamento da mesma, já decorridos mais de quatro anos da defesa.
Com meus respeitos a todos.
Prof. Sergio Luiz de Souza Vieira - Pós-Doc.Federação Internacional de Capoeira - FICAhttp://www.capoeira-fica.org
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